A eleição terminou. Como diz o professor Marco Aurélio Nogueira[1] Com
certeza essa não foi a primeira eleição que se valeu de ofensas e jogo sujo,
mas talvez tenha sido a mais virulenta.
Os resultados demonstram que o Brasil está profundamente dividido. Analisando
essa eleição presidencial o professor Gaudêncio
Torquato[2]
diz que isso “poderia até ser um sinal de avanço político, pelo entendimento de
que o escopo democrático se inspira na disputa entre contrários, se chegássemos
ao final do pleito com o peito estufado de animação cívica, e não, com arsenais
cheios de ódio e desejo de vingança”.
Percebemos a utilização da pedagogia da separação nessa campanha quando
ouvimos de algumas lideranças políticas a utilização de expressões como: “nós e
eles”, “ricos e pobres”, “nordeste e sudeste”. Evidente que isso cria e amplia
animosidade entre grupos e expande atritos na esfera social.
Em 2014, com forte apoio das redes sociais, a campanha negativa chamou a
atenção também pela intensidade e reverberação instantânea dos boatos, ataques
e difamações, dificultando que o debate eleitoral ganhasse dignidade política.
A agressividade da linguagem utilizada na campanha é outra triste constatação.
A discussão e o combate às ideias cedeu lugar ao confronto pessoal e ultrapasou
os limites do respeito.
Gostaríamos que o debate presidencial fosse o espaço para apresentação e
discussão de ideias e propostas para o futuro. Não foi isso que aconteceu, mas
isso agora é passado. Claro que devemos analisar e nos perguntar como isso aconteceu,
ou como diz o professor Marco Aurélio “... como permitimos que isso acontecesse”, compartilhando a responsabilidade
com toda sociedade, ou seja, com todos nós.
Como sempre digo, devemos incentivar os jovens - principalmente - a participar da política –
como missão - e essa campanha eleitoral não serviu de exemplo, mas não vamos
perder a esperança. Pelo contrário, isso só nos motiva a trabalhar ainda mais
para persuadir os jovens e a sociedade em geral a participarem mais ativamente da
política democrática e a troca de ideias.
Ninguém discorda que a política precisa mudar, mas vamos fazer isso de
forma civilizada, apaziguando e pacificando os espíritos e buscando a harmonia
social e o convívio mais fraterno, inclusive para que seja possível a
governança democrática e com reais benefícios para a sociedade.
Devemos lembrar que integramos a mesma pátria e aos vitoriosos caberá a árdua tarefa de
trabalhar e evitar a animosidade. E, como diz o professor Gaudêncio Torquato, “aos
derrotados se impõe o dever democrático de aceitar os resultados, e da mesma
forma que os vitoriosos, fechar o dicionário separatista”.
Desde as manifestações de junho de 2013, a população já deu sinais que
deseja e pretende participar mais ativamente do processo político e agora
devemos todos, políticos e cidadãos, vencedores e perdedores, ampliar as formas
de fiscalização e controle das ações dos governantes, também como forma de
tirar a política desse fosso de degradação moral. Não será uma tarefa fácil,
mas não será impossível.
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